sábado, 24 de fevereiro de 2018

bigger than








"Nothing from that first day I saw her and no one that has happened to me since, has ever been as frightening and as confusing. For no person I've ever known has ever done more to make me feel more sure, more insecure, more important and less significant.
(...)
I was never to see her again. Nor was I ever to learn what became of her. We were different then. Kids were different. It took us longer to understand the things we felt. Life is made up of small comings and goings. And for everything we take with us, there is something that we leave behind".

(Summer of '42, 1971, Robert Mulligan)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

"Índia... como o país"








(The Heartbreak Kid, 1972, Elane May)

a trick



(The Conversation, 1974, F. F. Coppola)


Segundos antes, ela diz-lhe, quase se descuidando: "It's only a trick"... Ele pergunta: "What?!". E ela, logo a seguir, corrige: "A job! You're not supposed to feel anything"...
 
E será que o incómodo crescente que ele diz sentir ao ouvir a gravação - e que o espectador apenas associa, nesse momento, às questões éticas e morais implicadas no acto de espiar o Outro e nas suas possíveis consequências - é já um indício, mesmo que inconsciente, de que 'something's wrong' se passa, de que a reviravolta final começa, timidamente, a assomar à superfície?
 
A certa altura, ele diz que pressente "medo" naquela voz feminina (no "Oh, God" do still acima, precisamente) e o espectador apenas o relaciona (a esse medo), novamente, com o receio de essa mulher 'infiel' em ser apanhada pelo marido - mas talvez não, talvez mais: talvez seja já o medo, o arrependimento, o horror de estar a planear um assassinato.
 

tantas vezes te vi (2)







(Choses secrètes, 2002, J-C Brisseau)

tantas vezes te vi



(À l'aventure, 2008, Jean-Claude Brisseau)
 
 
(The Rain People, 1969, F. F. Coppola)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Ainda: retrospectiva Chang Tso-chi no Fantasporto





Ah Chung, 1996, Chang Tso-chi


"Em 2013, bem antes do movimento #metoo irromper e, com ele, a problemática distinção entre criador e criação (Polanski, Brisseau, Allen), Chang estrearia A Time in Quchi em Locarno, no qual abandona as margens problemáticas de Taipé e constrói um coming of age de uma poesia imensa sobre dois irmãos que, a braços com o divórcio dos pais, vão passar o Verão no campo com o avô (muitos se lembraram de Um Verão com o Avô, de Hou Hsiao-Hsien, e é uma pena que não o possamos ver no Fantas). Simultaneamente nesse ano, o taiwanês era acusado da violação de uma argumentista, alcoolizada, numa festa em sua casa (em Ah Chung, o protagonista, perante uma rapariga embriagada, colocava, hesitantemente, a mão no soutien, contendo-se no último momento…)".
 
O Fantas começa amanhã.
 

 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Penso agora, enquanto vou num carro que não conduzo, que a palavra que mais insistentemente ouvi do meu pai desde que me lembro é

Olha

Olha aquilo ali
Olha isto

Olha

ípsilon - Chang Tso-chi e Fantasporto


No Ípsilon da última sexta-feira, além de uma breve antevisão sobre o Fantasporto - Oporto International Film Festival, escrevo sobre a retrospectiva imperdível (não integral, lamentavelmente) que nele decorrerá dedicada a um cineasta - tão magnífico quanto desconhecido por cá - da segunda vaga (90s) do Novo Cinema de Taiwan: Chang Tso-chi.

O Fantas inicia-se na próxima semana (20 Fev., terça-feira) e os filmes de Chang passam nos dias 26 e 27 de Fevereiro e 1 de Março: "Ah Chung", "Darkness and Light", "The Best of Times", "Soul of a Demon" e "When Love Comes". Complementarmente, há, ainda, a mostra "Taiwan B-Movies" (anos 70-80), cinema low-budget subversivo que abriria portas para o Novo Cinema dos anos 80. É ler, ver e ouvir.

Um enormíssimo obrigado ao Francisco Rocha pelo fundamental "apoio à produção".

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

"Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes" no INDIELISBOA



Estamos muito felizes por vos poder dizer que vamos estar em Lisboa na competição oficial do IndieLisboa International Film Festival, que decorre entre 26 de Abril e 6 de Maio!
Esperamos ver-vos a todos lá! Até já!
 
///
 
Extremely happy to tell you that we will be in Lisbon as our film has been selected for the official competition of IndieLisboa International Film Festival, which happens from 26th April to 6th May!
 
We hope to see y’all there!


FACEBOOK: https://www.facebook.com/NaoConseguesCriarOMundoDuasVezes/

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

palhaço-besta




Emil Jannings - em ambos os casos, já na fase "pós". pós-desgraça, pós-dignidade, pós-fisicalidade (pós-humano? o homem transformado em palhaço-besta). a introdução "intertitular" do filme de Murnau - qualquer coisa como "podemos viver como reis e ser admirados por todos, mas um dia, amanhã, onde poderemos vir a estar?" - vale, na plenitude (e talvez mais violentamente ainda), para o de Sternberg.
(The Last Laugh, 1924, F. W. Murnau / The Blue Angel, 1930, J. von Sternberg)

pintura-vérité






The Best of Times, 2001, Chang Tso-chi

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Crítica - "November", SiR


 
"NOVEMBER" no Ípsilon da última sexta: o "pecado original" (para citar o Cardeal) de SiR é o de ter feito, em 2015, um disco formidável chamado "Seven Sundays", inevitável ponto de partida (e comparação) para a escuta dos seus trabalhos subsequentes, que, infelizmente, nunca cumprem as expectativas. Todavia...
 
"Um dos motivos reside, desde logo, no facto de este ser um álbum demasiado de beats, reflectindo esse contemporâneo fenómeno que é o de o R&B ser predominantemente pr...oduzido a partir de portáteis por produtores de hip-hop tout court (torná-lo mais melódico ou samplar mais instrumentos não o converte automaticamente em R&B ou em soul) (…). Se esta realidade, no que de democrático e inventivo implica, é, obviamente, de louvar, tem o inconveniente de redundar, muitas vezes, na construção de instrumentais rígidos e pouco adequados às nuances que o R&B (…) exige ao longo de uma canção. É justamente o que aqui se sente, a predominância de canções excessivamente cadenciadas, em que a batida é referência demasiado central (porque determinante das restantes coordenadas), pelo caminho sublinhando a traço grosso a repetição do loop nuclear (com o risco de monotonia associado). (...) Ficarmo-nos por aqui seria, contudo, tremendamente injusto para um álbum (…) com uma canção do calibre de 'Something Foreign', piano pesaroso por cima de uma bateria exausta, e onde ao refrão maravilhoso de SiR se junta um Schoolboy Q (…) que já não víamos nesta forma há algum tempo (combinando versos erotizantes com uma disposição métrica mediante a qual explora, de modo sonoramente gingão, quatro diferentes terminações fonéticas da rima: 'u', 'aive', 'aique', 'ou')".

sábado, 10 de fevereiro de 2018

10




10 anos, caraças. 10 anos de existência que este blog hoje cumpre. A minha vida toda aqui. Ou o que dela passou por baixo dessas pontes. Sim, toda: eu que a conheço sei o que está por baixo de cada imagem, de cada canção - interjeição, até - que por aqui vou deixando. Yup, o livro pode ser julgado pela capa.

"I got a real bad habit
I think I know everything 'fore it happens
(…)
You know my color, yes
But underneath remains covered, you ain't discovered yet"

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018





(Choses secrètes, 2002, J-C Brisseau)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Entrevista "Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes" - Porto/Post/Doc





Entrevista que demos para o festival aquando da estreia e em que falamos um pouco sobre tudo à volta do filme.